Os reféns em Espanha e a tua vizinha

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Privar alguém de exercer a liberdade, que é sua por direito, porque todos nascemos livre, é uma enorme cobardia, um comportamento que não dignifica a raça humana. Já perceberam que estou hoje muito contida nos adjetivos, certo? Estou a tentar escrever um textinho sério e direitinho…

Pronto… claro que podemos falar sobre os episódios negros da história da humanidade da escravatura, do nazismo, das mulheres presas em casa por regimes extremistas, e por aí vai…. Mas podemos também falar da tua vizinha, da minha, de ti e de tantas outras mulheres que são mantidas em cativeiro por aqueles que dizem gostar delas e estar preocupados com elas…

Tu conheces casos destes? Queres partilhar isso connosco?

Então eu começo…

Há uns tempos atrás perguntei a uma senhora o que faria se se sentisse livre.

A resposta foi um misto de tantas coisas que me levou às lágrimas. Se calhar lágrimas de tristeza no olho direito e de alegria no olho esquerdo… ou ao contrário, não me lembro bem… se calhar nem chorei e esta conversa é só para impressionar…

“Se me sentisse livre”, disse-me, “pegava no carro e ia a Fátima ver a Nossa Senhora!”

Pumba… e agora as tuas lágrimas surgiram do olho esquerdo ou do olho direito?

Diabo… com 50 anos não pode pegar no carro porque tem o nome do marido.

… com 50 anos não pode ir onde quer porque o marido gosta tanto dela que não conseguiria viver se lhe acontecesse alguma coisa…

… com 50 anos não pode ir ao café porque estão lá homens que lhe podem fazer mal…

… com 50 anos, o marido compra-lhe a roupa porque tem muito bom gosto e quer tirar-lhe o incómodo e a canseira de ir às lojas…

… com 50 anos não pinta as unhas porque uma mulher honesta exibe a beleza natural…

E já estão a ver a cena toda… ninguém lhe tirou o passaporte, que também não tem, ninguém a prendeu com amarras porque não é preciso, ninguém pede um resgate porque “ela não vale nada” e “ninguém daria nada por ela” … mas está prisioneira, caramba!

Mas no fundo dos olhos dela percebi que sonha com liberdade. Está adormecida mas está lá! Quer pedir um milagre para se sentir livre de todas estas amarras invisíveis. Amarras das quais nem ousa reclamar e nem apelida de amarras para não ser ingrata.  São coisas das quais não se pode queixar. 

Afinal tem um marido “super amoroso e amigo” que lhe dá tudo o que precisa, desde mercearia a roupa e sapatos rasos, para que não caia de saltos altos, e redondos à frente para que não tropece com sapatos mais bicudos.

Os seus dois filhos, que Deus lhe deu, e muito lhe custaram a criar, são homens feitos, ao que parece, e o orgulho dos seus olhos. Pede que sejam amigos das mulheres e que as deixem brilhar. E assim parece ser. Uma abriu um salão de cabeleireiro, e até atende homens, e a outra trabalha numa fábrica onde almoça com os colegas na cantina.

E voltei a ficar de volta das lágrimas…

E como ficaste tu? partilha, comenta e conta-nos tudo…

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/2052552/pena-de-prisao-por-manter-migrantes-retidos-numa-casa-em-ceuta

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meninos e meninas ou músculos e candura?