A minha lente

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Nos últimos dias assistimos a uma história da vida real que acabou com a morte da pequena Jéssica de 3 anos.

Se não fosse este horror, a outra história, a que criou o cenário onde se desenrolou este horror, passaria totalmente despercebida.

Uma mulher sente que a sua relação amorosa não está bem.

Este inicio da história poderia muito bem ser o inicio das nossas histórias. Provavelmente todas, ou quase todas, já sentimos aquela sensação de raiva, de medo, de indecisão, de sentir que a nossa relação está a deteriorar-se. Ele afasta-se, tu afastas-te e, de repente, começa a surgir um oceano a separar os dois. E nesse oceano tu não queres navegar. Começas a desconfiar da própria sombra. Ficas atenta aos cheiros, aos cabelos no casaco, aos horários a ver se combinam com o discurso dele… queres à viva força perceber se tem outra sereia na praia.  E se tiver outra queres ver o que ela tem que tu não tens… o que ela faz que tu não fazes…. Ui… a lista é grande, não é?

Então, num determinado dia resolves fazer alguma coisa. E fazes alguma coisa, mesmo!

Falas abertamente com o teu companheiro. Expões os teus sentimentos, ouves os dele, percebem onde estão e para onde querem ir. Encontram uma estratégia e poem-na em prática. A situação é resolvida.

Ou então não conseguem resolver sozinhos e pedem ajuda profissional e, também desta forma, resolvem a situação.

Agora imagina que, ao invés de te responsabilizares pela tua vida, esperas que a situação mude por artes mágicas. Bom, então fazes o que fez a mulher desta história. Encomendas uma bruxaria a uma “Ana Cristina” qualquer, que promete que todos os problemas da tua relação com um “Paulo” qualquer, ficam resolvidos. Dá-te acesso a umas quantas “informações”, pede-te dinheiro para fazer umas rezas, acender umas velas e um sem fim de outras coisas e voilá…. Tens o assunto resolvido!

Agora pára e percebe que quando esperas que a mudança venha de fora assumes-te como vítima, como alguém que é ultrapassado pelas circunstancias. Alguém que é ultrapassado pela vida. Então tu és alguém sem poder sobre ti, és uma espectadora da tua vida.

E tu queres ser, como perguntava aos meus filhos quando eram pequeninos, a marioneta ou quem manipula a marioneta? Dito de outra forma, “tu queres ser a marioneta ou a marionetista?”

Quando dás o teu poder a alguém para manipular a tua vida então tu passas a ser a marioneta. No caso da mulher da notícia, sem dúvida, assumiu-se como marioneta e a marionetista foi a dita “senhora A.C.”, a “bruxa”, que a manipulou.

Na verdade, estas histórias são mais que muitas e aparecem todos os dias. Há muito pouco tempo atrás, tive uma cliente, no meu consultório em Aveiro, que veio de uma destas “encruzilhadas” porque queria voltar a conduzir e não conseguia. As velas, as rezas e os “trabalhos” não surtiram efeito, mesmo tendo sido pagas a peso de ouro (uns poucochinhos milhares de euros)

Esta senhora voltou a conduzir depois de se responsabilizar pela própria vida.

Claro que nas nossas consultas a convidei a olhar para dentro de si própria, que a convidei a entrar em contacto com os medos mais profundos dos quais nem tinha consciência. Claro que a envolvi no seu processo de transformação. E, na verdade, assumiu a responsabilidade por si própria. Assumiu-se como a marionetista. Voltou a conduzir!

E tu?… vives na cultura da desresponsabilização, da vitimização, das receitas rápidas para os males que estão sempre fora de ti? Ou assumes o teu papel como agente de mudança, como criadora da tua vida?

Percebe que, cuidares de ti é uma das tuas responsabilidades enquanto ser humano. Abdicares dessa responsabilidade e, simultaneamente desse direito, te coloca numa posição de fragilidade. Numa posição de desprezo pela obra prima que tu és! Pela obra prima que nasceste para ser!

Agora diz-me…Tu és a marioneta ou a marionetista?

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Noticia completa aqui:

https://visao.sapo.pt/atualidade/sociedade/2022-06-23-o-que-se-sabe-ate-agora-sobre-o-caso-de-jessica-a-menina-de-3-anos-que-morreu-em-setubal-vitima-de-maus-tratos/

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